Avançar para o conteúdo principal

Fragmentos


glosa patológica, trespassa-se

Irregularidade dos dias
pernas e mãos jazidas
glosar patológico
doente de preciosismo.

Tentar destruir leituras
sepultar referências 
encarar arroubo, espanto
feito movimento a fim de avançar:
riscar riscar riscar 
mergulhar mergulhar
transgredir.

Vir à superfície quebrada
pelas sobras na memória
lombadas ultra passadas
corpo a corpo com mestres
vampiros, aprendizes, outrora.

Trespassar tal grilheta aos súbditos 
do cânone, das brochuras 
obesas, vulneráveis 
por não crer no telurismo,
me preocupar com coisas
do mundo tão só.

em Saliva, edição Mariposa Azual (Julho 2022)









Leitura Saliva em Julho, por Fernando Ramalho. no AH! Artes e Humanidades, espaço multiusos da Associação Mural Sonoro


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Fragmentos

  O Imenso Comércio do Nada A europa e seus fantasmas de dominação Weidendammer Brücke, Berlin-Mitte, 2025 A pior mentira é a mentira da candura, da paz, do bom senso do parlamentar ocidental. Já mentimos tanto, já omitimos tantas coisas, que podemos começar a experimentar a honestidade a ver se ela nos cura.  É possível que dentro de poucos anos comecemos a renunciar ao pensamento dimanado da paixão e do desejo, da sinceridade connosco, a temer a angústia, a desenvolver cada vez mais conhecimentos que aproximam o mundo idealizado do que cremos ser o real, a moralizar os pederastas silenciosos numa manifestação ao fim-de-semana que silenciosos ficam como resposta ao chinfrim bélico do mundo. Afinal, a nossa principal característica é ter memória curta e aliviar episodicamente a boa consciência burguesa com acções para ficar tudo na mesma, menos a percepção que outros de nós terão. O drama histórico dos massacres e das limpezas étnicas – Bósnia e Kosovo, Sudão, Ruanda, Congo, S...

Fragmentos

  O Imenso Comércio do Nada XVII Público, privado, política, o esgoto a céu fechado Dizem-nos que nem todo o líder, ou aspirante, parlamentar é o nómada de quatro piscas encandeado pelo manual retrovisor da História oficiosa; nem toda a política partidária proveio do funambulismo, do mínimo esforço intelectual, da desagregação do real, das porfias difamatórias. Dizem-nos que nem todos os que são incapazes de aceitar uma estrondosa derrota e não se demitem vêm das bancadas universitárias, são onanistas, começaram o curso como-estar-sempre-deputado em juventudes partidárias onde o sistema é mais-e-menos teórico consoante os teoremas se repetem e as soluções surtem problemas de primeiro grau. Porém, também tenho visto que os que se condoem com um dispositivo estilístico brejeiro na hora de desenhar futuros que reafirmam pouco-nada-promissores enaltecem: as acnes rosáceas de um, os escândalos empresariais do outro, tudo, como ditam as normas, sob risinhos de Molière antianalógicos. De ...

Fragmentos

 Bem-vinda ao passado Como qualquer pessoa ligada, apaixonada, à/pela música, também já achei que havia canções feitas para aqui...Esta é uma delas, seria apenas mudar o género, Já morri a morte certa Já senti a fome, aperta a dor Já bati à porta incerta Viajei de caixa aberta, a dor Pecado, fundido, queimado Já desci lá em baixo ao fundo Já falei com outro mundo e então Já passei o limbo limpo Já subi ao purgatório e vou Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, arrependido, queimado Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, fundido e queimado Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, arrependido, queimado