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Fragmentos

Q ue mundo este! As imagens desencarnadas são as mais fugazes. Revolta polir as pedras dos rins sem uma lima onde elas se podiam desfazer; no copo fundo onde mergulhas esse fragmento obsessivo de gelo.  Retira da boca as palhas duplas que mordeste e não deixes de procurar, não um nexo mas um atalho onde as meter.  Não mastigues com tanta pressa pois há fome nesse corpo e mais ainda no mundo que desconheces, e cada uma deve saber o que fazer à proteína do tempo que, afinal, será sempre um outro menos informado e especial.  Quantos séculos demorou, para, aqui chegada, tarde ou não é o que menos revela, pois as viagens têm sido túrbidas e crescentes, voltarmos ao mesmo modo espiralar! Quando a tua amante ditadora envelheceu passou a afixar por todo o lado que quando olhássemos para trás a ouviríamos. Já percorremos todos os álbuns e ainda não a escutámos, vislumbrámos, nada! Ou nada do que já não tivéssemos experimentado com as nossas curiosas orelhas, tão grandes… Mas por...

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  EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada  Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o jul...

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EP 6 -  Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros #6 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de...

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Dia 13 de Janeiro, a convite da Livraria Tigre de Papel e tendo como ponto de partida o livro Outra Míngua , numa conversa que pode ser ouvida no Podcast Tigre de Papel  https://tigrepapel.pt/evento/conversa-com-soraia-simoes-de-andrade-em-torno-do-seu-livro-outra-mingua/

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  Já anda por aí o número 4 do Cavalo Velho. Uma edição da VS Editor com a direcção de Diogo Paiva e João Bicker. Fica aqui uma imagem com o meu contributo, um pequeno ensaio meio free-jazz onde a intérprete Elizeth Cardoso, a dama que celebrizou "Barracão" [de Zinco ], o escritor e as escritoras Aimé Césaire, bell hooks, e Marguerite Yourcenar dialogam com o repertório da escritora-catadora de cartão e de sonhos Carolina Maria de Jesus.

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  EP 5 - Da contemplação ao olhar apressado - a morte da atenção no capitalismo mediático #5 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . Vivemos tempos inquietantes em que a distração passou a ser dever cívico, e a atenção recurso natural escasso. O neoliberalismo já não necessita de grandes fogueiras para queimar livros incómodos ou obras de arte inconvenientes, basta-lhe incinerar o olhar de quem lhes poderia dar atenção. Entre tictocts, vídeos, e posts, vendemos a alma a pequenas prestações de foco, mesmerizados pela alucinação interactiva que configura nova forma de trabalho incessante, para animar as redes tecno-feudais. São os tempos da plataformização totalitária da vida, em que o capitalismo colonizou o tempo “livre”, e neste surge outra morte da arte, diluída em excesso de likes do olhar utilitário ou curioso, mas superficial. Demorar numa obra pode ser hoje novo acto de rebelião. Bibliografia: Walter Benjamin - A Obra de Arte na Era da Sua Repr...

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 Novos Cadernos AH!, do #31 ao #36 disponíveis para ler, em acesso livre, no website Mural Sonoro