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Intempérie EP9 – Os infortúnios da Pornologia - Por favor não me estraguem o orgasmo! Pode ser subscrito no  Soundcloud ,  Spotify  ou  Apple podcasts  O problema é que mal se avista um desejo começamos a redigir o cadastro. Sade queria receitar a chicotada e burocratizar a perversão, outros passam receitas de testosterona, mas ainda há quem queira deixar o pássaro voar antes de ter anilha. Paul Preciado vem dizer que já não estamos no palácio libertino, que tudo hoje se passa na farmácia, no Grindr, com muito mercado, muito doom scroll e dildos para vender. A Amazon aprova. Gilles Deleuze, ombreado por Félix Guattari, boceja perante qualquer teoria que se demonstre plenamente convicta de si mesma e que tente enfiar o tesão em grelhas: Édipos, géneros, testosterona e performances de arte contemporânea. Bibliografia Lacan - Seminário 7 — “A ética da psicanálise” Erich Fromm — “Escape from Freedom” Deleuze e Guattari — “Mille Plateaux” Paul Preciado — “Testo Junki...

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Candidaturas à edição de 2026 do Prémio VS. – Ernesto Sampaio  a decorrer até ao dia 20 de Setembro. Este ano, a convite do editor Vasco Santos, junto-me, com muito gosto, ao Diogo Paiva e à Luísa Sol no júri.

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Intempérie EP8 - A produtividade não passa de alucinação colectiva: elegância para desenganados, sem termos que fazer coisa alguma Pode ser subscrito no Soundcloud , Spotify ou Apple podcasts  Albert Cossery passou a vida a evidenciar que o trabalho instaura o erro conceptual, enquanto Franco Berardi e outros filósofos dedicam hoje livros inteiros à mesma conclusão, mas cheios de ansiedade e cansaço. Além disso, revelamos que apenas existem mais ou menos cinco livros por século que mereçam ser lidos, o que são péssimas notícias para quem acabou de encher as estantes. Em Cossery os mendicantes contemplativos são mais emancipados do que os CEOs, algo mui incómodo para quem passa a vida no LinkedIn. Conclusão: a solução passará sempre por não fazer nada… mas em elocução literária irrepreensível. Bibliografia: Herman Melville - "Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street" Jack Halberstam – “The Queer Art of Failure” Bifo Berardi – “The Uprising: On Poetry and Finance.” Albe...

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  Já está on-line a primeira leva de Cadernos AH! de 2026, do 37 ao 40, no sítio do costume : https://www.muralsonoro.com/ cadernosah A saber: Caderno AH! Nr. 37; Três Lições Sobre Sabotagem , de Bertolt Brecht, traduzido por Fernando Ramalho Caderno AH! Nr. 38; Gramsci, o Livre Mercado das Ideias e a Epistemologia da Extrema-direita (parte 1), de Carlos Carujo, revisto por Soraia Simões de Andrade Caderno AH! Nr. 39; A Grande Camuflagem , de Suzanne Césaire, traduzido por Fernando Ramalho Caderno AH! Nr. 40; Argumentos para a Defesa de Uma vida em Comum , de David Santos, revisto por Soraia Simões de Andrade

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Q ue mundo este! As imagens desencarnadas são as mais fugazes. Revolta polir as pedras  sem uma lima onde elas se podiam desfazer; no copo fundo onde mergulhas esse fragmento obsessivo de gelo. Retira da boca as palhas duplas que mordeste e não deixes de procurar, não um nexo mas um atalho onde as meter.  Não mastigues com tanta pressa pois há fome nesse corpo e mais ainda no mundo que desconheces, e cada uma deve saber o que fazer à proteína do tempo que, afinal, será sempre um outro menos informado e especial.  Quantos séculos demorou, para, aqui chegada, tarde ou não é o que menos revela, pois as viagens têm sido túrbidas e crescentes, voltarmos ao mesmo modo espiralar! Quando a tua amante ditadora envelheceu passou a afixar por todo o lado que quando olhássemos para trás a ouviríamos. Já percorremos todos os álbuns e ainda não a escutámos, vislumbrámos, nada! Ou nada do que já não tivéssemos experimentado com as nossas curiosas orelhas, tão grandes… Mas porque hás-de...

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  EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada  Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o jul...

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EP 6 -  Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros #6 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de...