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Fragmentos

Dia 16 de Setembro, pelas 18h, estarei em Lisboa na sessão #5 do Triptykon, ciclo programado pela Livraria Tigre de Papel. Esta sessão é sobre a Preguiça e os três livros que escolhi são de um mesmo autor, o egípcio Albert Cossery.  Vamos conversar sem indolência? Espero-vos.

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  Intempérie 10   Beckett, o vácuo e outros modelos de arvorar carreira Pode ser subscrito no  Soundcloud ,  Spotify  ou  Apple podcasts  Talvez a interrogação mais urgente não seja se a literatura acabou, mas se conseguimos produzir alguma coisa que não seja a reciclagem retórica mercantil da sua morte. O vácuo tornou-se especialização, a inexistência galhardeou editores, a transgressão angariou financiamento e até o funeral da literatura parece ter achado brilhante carreira académica. É neste lustroso boião de cultura que retiramos o caramelo envenenado de Murphy, o primeiro romance de Beckett. Após Beckett, tornou-se relativamente acessível parecer profundo: fugimos à narrativa, retalhamos o sujeito, exercitamos a impossibilidade da linguagem e condimentamos com um pouco de vazio no fim. A dificuldade está em empreender o que Beckett fez, e que tanto se imitou posteriormente: arquitetar a forma em sintonia com a necessidade de ruptura existencial au...

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Excerto PT ~ Antes da viagem transformei a antiga bobine de cabos industriais em mesa que logo suportou velhos periódicos. Ia de novo a Berlim. Encarava aqueles pedaços de papel não como arquivo, mas como matéria de investigação subjectiva em ligação crescente à cidade. Diferente dos antigos apparatchik do aparelho político, que organizam a opressão com a paciência burocrática dos mesquinhos, a montagem desses fragmentos conservava as estirpes efémeras, que o tempo procurou apagar. Eles dialogavam com os de hoje, como se os do presente nada pudessem ser sem a sua existência. As releituras ganhavam novas sinuosidades, mais evasivas, cada vez que, à noite, nos dormitórios femininos onde descansava, contava a outras viajantes a minha obsessão com esta cidade. Falava dela como se fosse entidade ética, onde a história nunca deixa entorpecer a vigilância. Os dormitórios em Berlim são o último sopro comunitário do nómada. Nunca fico em hotéis, os hotéis são para quem possui identidade fixa, s...

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Intempérie EP9 – Os infortúnios da Pornologia - Por favor não me estraguem o orgasmo! Pode ser subscrito no  Soundcloud ,  Spotify  ou  Apple podcasts  O problema é que mal se avista um desejo começamos a redigir o cadastro. Sade queria receitar a chicotada e burocratizar a perversão, outros passam receitas de testosterona, mas ainda há quem queira deixar o pássaro voar antes de ter anilha. Paul Preciado vem dizer que já não estamos no palácio libertino, que tudo hoje se passa na farmácia, no Grindr, com muito mercado, muito doom scroll e dildos para vender. A Amazon aprova. Gilles Deleuze, ombreado por Félix Guattari, boceja perante qualquer teoria que se demonstre plenamente convicta de si mesma e que tente enfiar o tesão em grelhas: Édipos, géneros, testosterona e performances de arte contemporânea. Bibliografia Lacan - Seminário 7 — “A ética da psicanálise” Erich Fromm — “Escape from Freedom” Deleuze e Guattari — “Mille Plateaux” Paul Preciado — “Testo Junki...

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Candidaturas à edição de 2026 do Prémio VS. – Ernesto Sampaio  a decorrer até ao dia 20 de Setembro. Este ano, a convite do editor Vasco Santos, junto-me, com muito gosto, ao Diogo Paiva e à Luísa Sol no júri.

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Intempérie EP8 - A produtividade não passa de alucinação colectiva: elegância para desenganados, sem termos que fazer coisa alguma Pode ser subscrito no Soundcloud , Spotify ou Apple podcasts  Albert Cossery passou a vida a evidenciar que o trabalho instaura o erro conceptual, enquanto Franco Berardi e outros filósofos dedicam hoje livros inteiros à mesma conclusão, mas cheios de ansiedade e cansaço. Além disso, revelamos que apenas existem mais ou menos cinco livros por século que mereçam ser lidos, o que são péssimas notícias para quem acabou de encher as estantes. Em Cossery os mendicantes contemplativos são mais emancipados do que os CEOs, algo mui incómodo para quem passa a vida no LinkedIn. Conclusão: a solução passará sempre por não fazer nada… mas em elocução literária irrepreensível. Bibliografia: Herman Melville - "Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street" Jack Halberstam – “The Queer Art of Failure” Bifo Berardi – “The Uprising: On Poetry and Finance.” Albe...

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  Já está on-line a primeira leva de Cadernos AH! de 2026, do 37 ao 40, no sítio do costume : https://www.muralsonoro.com/ cadernosah A saber: Caderno AH! Nr. 37; Três Lições Sobre Sabotagem , de Bertolt Brecht, traduzido por Fernando Ramalho Caderno AH! Nr. 38; Gramsci, o Livre Mercado das Ideias e a Epistemologia da Extrema-direita (parte 1), de Carlos Carujo, revisto por Soraia Simões de Andrade Caderno AH! Nr. 39; A Grande Camuflagem , de Suzanne Césaire, traduzido por Fernando Ramalho Caderno AH! Nr. 40; Argumentos para a Defesa de Uma vida em Comum , de David Santos, revisto por Soraia Simões de Andrade