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Fragmentos

  EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada  Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o jul...

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EP 6 -  Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros #6 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de...

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Dia 13 de Janeiro, a convite da Livraria Tigre de Papel e tendo como ponto de partida o livro Outra Míngua , numa conversa que pode ser ouvida no Podcast Tigre de Papel  https://tigrepapel.pt/evento/conversa-com-soraia-simoes-de-andrade-em-torno-do-seu-livro-outra-mingua/

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  Já anda por aí o número 4 do Cavalo Velho. Uma edição da VS Editor com a direcção de Diogo Paiva e João Bicker. Fica aqui uma imagem com o meu contributo, um pequeno ensaio meio free-jazz onde a intérprete Elizeth Cardoso, a dama que celebrizou "Barracão" [de Zinco ], o escritor e as escritoras Aimé Césaire, bell hooks, e Marguerite Yourcenar dialogam com o repertório da escritora-catadora de cartão e de sonhos Carolina Maria de Jesus.

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  EP 5 - Da contemplação ao olhar apressado - a morte da atenção no capitalismo mediático #5 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . Vivemos tempos inquietantes em que a distração passou a ser dever cívico, e a atenção recurso natural escasso. O neoliberalismo já não necessita de grandes fogueiras para queimar livros incómodos ou obras de arte inconvenientes, basta-lhe incinerar o olhar de quem lhes poderia dar atenção. Entre tictocts, vídeos, e posts, vendemos a alma a pequenas prestações de foco, mesmerizados pela alucinação interactiva que configura nova forma de trabalho incessante, para animar as redes tecno-feudais. São os tempos da plataformização totalitária da vida, em que o capitalismo colonizou o tempo “livre”, e neste surge outra morte da arte, diluída em excesso de likes do olhar utilitário ou curioso, mas superficial. Demorar numa obra pode ser hoje novo acto de rebelião. Bibliografia: Walter Benjamin - A Obra de Arte na Era da Sua Repr...

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 Novos Cadernos AH!, do #31 ao #36 disponíveis para ler, em acesso livre, no website Mural Sonoro

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Virtue signalling Salvemos a memória das viagens que não fizemos porque alguém as fez com extremo cuidado por nós.  O último fim-de-semana foi de chuva e releituras; as do mundo por conhecer, não por via do mundinho que é para tod@s conquanto iguais, aquele que não é especialmente novo e leva quem decide militantemente ocupar as brechas imperceptíveis do chinfrim bélico, previsível, do circo, a procurar outros géneros de, chamemos-lhe, desapego ou fartura... Lembro agora porque, entre outra bicharada, deixei de comer arenque, claro, foi depois de ler Os Anéis de Saturno de W.G.Sebald. Além do mais, exibir comida, hábitos de restauração e de leitura, por aqui, num país onde há crianças e adultos, famílias, que chegam a meio do mês sem dinheiro sequer para o café ou o pão é outro dos tiques do progressismo que já coxeia, que aqui e ali causa uma extrema irritação aos estômagos que já são obrigados a laborar com muito pouco. Porém, reparem, internet tem-se de borla, à pendura, livros ...