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Fragmentos

 EP 7 - A profissão de crítico ou a técnica do adormecimento: manual de doxa e boas maneiras para nunca arriscar nada 




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A crítica de arte é a gestão da revolta, profissão neoliberal que transforma a urgência política em texto sofisticado, o conflito em sopa de termos gourmet do dicionário Word, enquanto atira o risco para as notas de rodapé, até que, por fim, a arte se transforma em tópica de dissenso inofensivo. O crítico passeia na galeria de arte, na feira, no centro cultural, como quem entra num spa de massagens ideológicas: sai de lá bem informado, com a coluna mui distendida e de moral reconfortada. Nada o pode ameaçar, torna-se por isso destemido, por mais que corte a eito o inimigo não deita sangue, nem geme: eis o especialista nessa arte marcial de bater em defuntos. Tudo se apresenta com aparência “problemática”, “complexa”, “necessária” — vocábulos que não causam pruridos. A crítica deixou o julgamento porque julgar faz perder o juízo; mas não permite o silêncio porque tagarelar é o seu modo de subsistência. No fim de tanta bavardage, cumpre plenamente a sua histórica função: garantir que nada falhe na assimilação ao mundo que finge contestar.


Co-criação: Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade
Indicativo: Xana
Produção: associação Mural Sonoro

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