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Fragmentos

Avançava e chicoteava o vento só com a planta de um pé, era, portanto, a antitipa de todas as atletas amadoras mas punha a maior ênfase em tudo o que fazia... Lisboa - Berlim, 2025 Por falar de Cinematecas interessantes, e filmes com acompanhamento musical, em Berlim E de um Teatro com História (por onde, entre tantos outros, passaram H- Muller e B Brecht que terá brevemente como curadora a coreógrafa-bailarina luso-caboverdeana Marlene Monteiro Freitas Outras alturas em Berlim Lagoa do Fogo, 2016 A modela nesta passagem quase desaparecia com borracha pelicano. Tinha atrás do caderno onde colou esta uma prosa curta que, apagada, se iria, de qualquer maneira, revelar na textura do que escreveu. Só que a experiência era dada numa frase insegura, não fazia jus à fulgurante lagoa e, por isso, permaneceu inacabada, as suas intenções reuniram-se pouco a pouco numa das culturas a que se ligou noutra viagem com a qual hoje se projecta no sítio que iria dominá-la; não fosse ela capaz de o s...

Fragmentos

Vídeo de Jorge Feliciano Música de Joana Bagulho, do disco Acção transcrições de peças de Carlos Paredes para cravo Quando uma espécie de surdo socialista se sentava junto ao gradeamento de uma antiga sala de concertos, atraía-nos para a interpretação das suas mãos minazes, dali brotavam todas as invenções; desde fóruns infrenes que via no telescópio aos além-terra saídos das fendas do toca-discos sem correia. Não eram desvarios sazonais, de outras épocas, eram loops . Nunca lhe ouvimos um queixume quanto à guerra produtora do seu diagnóstico: paracusia de Willis. No início pareceu-nos incongruente, alguém que só conseguia ouvir no epicentro do barulho infernal, dignificar os sons fracos.  Agora, já  não nos é possível desligar a audição daquelas mãos, nem da recriação de múltiplos exodus . Não é tanto pela fugacidade do presente , antes pela valoração das vantagens de locomoção e portabilidade, que, se é verdade que libertou os corpos do peso dos discos, dos ...

Fragmentos

       O criador de estrelas religa-nos à cosmologia, ao porvir. Entre pessoas e estrelas, a cegueira e a lucidez num sonho prenhe de irregularidades, medos, bifurcações. Um voo veloz que nos edifica, destrói e reconstrói, nos leva a «flutuar» com o mensageiro «no fundo de um poço estagnado» onde as luzes nos vigiam antes de as procurarmos e podem assumir figurações de pedras preciosas; não obstante nos perseguirem, afugentarem e iluminarem nos intervalos da existência-persistência das memórias. A dada altura do chão e das tonalidades, nenhuma delas, provindas das estrelas, nos afectam; e, por isso, o mensageiro prossegue o voo, com as dúvidas, o desejo de reencontrar a comunidade que se esvai e recombina entre-os-tempos em ritmos diferentes, como numa cifra. Um pequeno grande intervalo musical, que separa duas notas essenciais, nós e as estrelas, para conseguir produzir uma relação entre elas. Movimento corajoso, receituário de um mundo inextinguível: um unive...