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Fragmentos

Virtue signalling


Salvemos a memória das viagens que não fizemos porque alguém as fez com extremo cuidado por nós. 

O último fim-de-semana foi de chuva e releituras; as do mundo por conhecer, não por via do mundinho que é para tod@s conquanto iguais, aquele que não é especialmente novo e leva quem decide militantemente ocupar as brechas imperceptíveis do chinfrim bélico, previsível, do circo, a procurar outros géneros de, chamemos-lhe, desapego ou fartura... Lembro agora porque, entre outra bicharada, deixei de comer arenque, claro, foi depois de ler Os Anéis de Saturno de W.G.Sebald. Além do mais, exibir comida, hábitos de restauração e de leitura, por aqui, num país onde há crianças e adultos, famílias, que chegam a meio do mês sem dinheiro sequer para o café ou o pão é outro dos tiques do progressismo que já coxeia, que aqui e ali causa uma extrema irritação aos estômagos que já são obrigados a laborar com muito pouco. Porém, reparem, internet tem-se de borla, à pendura, livros de empréstimo de qualquer biblioteca durante meses, já o farnel... 

Ai não, vou reformular: Acordemos. Anda tudo muito sonolento frente ao espelho à espera que ele devolva a melhor ficção de si: boa consciência burguesa. Isso e uma terrina very typical a exibir os seus, muito solidários, claro, que seria, padrões de consumo. A falta de noção é, indiscutivelmente, o drama recorrente da intelectualite. E isso não há nenhum grau académico ou comenda que possa resolver. Neste jogo de espelhos, é-se mais igual ao inimigo (capital) do que aquilo que se julga. Muita da ansiedade, de ricos, de remediados, ou de pobres, vem disto, da exposição frenética da vida, das intenções, da transparência nas redes, dessa invectiva de transformar a vida e a profissão num espectáculo em que estão sempre a ser testados.
Bom, não é um manifesto para quem aparece ou desaparece nas redes. Mas, antes, uma reflexão de como os livros nos poderiam arrancar dos lugares, emaranhados,  habituais.... só que não (?) 

Tudo isto também é uma prova de não ser possível sair da moral. Razão tinha Nietzsche sem o saber, Imoralista que nunca saiu da moral nem da razão, e as repelia como se para melhor as digerir em si.
Dito isto, doravante só nos convidem para revoluções regadas a champanhe e não nos exijam rodapés com «a ironia pode safar-nos».





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