Avançar para o conteúdo principal

Fragmentar

____

[século vinte e um
jardinar, pintar as unhas como as crianças no recreio, banalizar o auto-retrato, escrever uma tese de doutoramento, dar explicações, fazer trabalho associativo, rever livros e artigos de outros, limpar o chão que se pisa e lavar as almas...]
____
Tanta troca de papéis
para voltar, pele mista adentro,
à salinha da proto-esteta.
Tanta branca falsa
para acabar na erva
seca e mal gasta.
Tanto folclore
underground
para injectar
a juventude
goela abaixo
à laia de veia.
Um amigo disse-me:
Soraia rima com praia.
As águas estão em movimento
e renovam-se.
Não estão estagnadas.
All right?
___






Comentários

Mensagens populares deste blogue

Fragmentos

  Já anda por aí o número 4 do Cavalo Velho. Uma edição da VS Editor com a direcção de Diogo Paiva e João Bicker. Fica aqui uma imagem com o meu contributo, um pequeno ensaio meio free-jazz onde a intérprete Elizeth Cardoso, a dama que celebrizou "Barracão" [de Zinco ], o escritor e as escritoras Aimé Césaire, bell hooks, e Marguerite Yourcenar dialogam com o repertório da escritora-catadora de cartão e de sonhos Carolina Maria de Jesus.

Fragmentos

EP 6 -  Da morte ontológica da arte ao Karaoke Bar nos escombros #6 Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify . A “morte da arte” não implica que os ditos “artistas” venham a cessar a sua actividade industrial, essa produção de insólitas mercadorias para decoração dos apartamentos vazios e alvíssimos de Manhattan, e dos salões também brancos das galerias, ou performances e eventos para animar a black box do centro cultural da esquina. Todavia, a arte perdeu o seu lugar de privilégio: pouco revela sobre a verdade (Hegel), não orienta as alminhas deste purgatório para o além ideal (Platão), já não progride segundo narrativa temporal provida de τέλος (Danto) e deixou de conseguir ser ponto de fuga ao mercado, à alienação e ao circuito controlado e totalitário das imagens (Baudrillard). Tentaremos aqui também esboçar os prolegómenos a toda a ilusão contemporânea e futura: a fé supersticiosa de que ainda podemos ser “artistas”, quando a realidade é apenas de...

Fragmentos

Avançava e chicoteava o vento só com a planta de um pé, era, portanto, a antitipa de todas as atletas amadoras mas punha a maior ênfase em tudo o que fazia... Lisboa - Berlim, 2025 Por falar de Cinematecas interessantes, e filmes com acompanhamento musical, em Berlim E de um Teatro com História (por onde, entre tantos outros, passaram H- Muller e B Brecht que terá brevemente como curadora a coreógrafa-bailarina luso-caboverdeana Marlene Monteiro Freitas Outras alturas em Berlim Lagoa do Fogo, 2016 A modela nesta passagem quase desaparecia com borracha pelicano. Tinha atrás do caderno onde colou esta uma prosa curta que, apagada, se iria, de qualquer maneira, revelar na textura do que escreveu. Só que a experiência era dada numa frase insegura, não fazia jus à fulgurante lagoa e, por isso, permaneceu inacabada, as suas intenções reuniram-se pouco a pouco numa das culturas a que se ligou noutra viagem com a qual hoje se projecta no sítio que iria dominá-la; não fosse ela capaz de o s...