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Cadernos AH! do último trimestre deste ano, aqui

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 [...] Não se pode dizer que o pequeno burguês não tenha lido nada. Pelo contrário, leu tudo, devorou tudo. Só que o seu cérebro funciona como alguns aparelhos digestivos de tipo elementar. Filtra. E o filtro só deixa passar aquilo que é passível de nutrir a epiderme da boa consciência burguesa [...]* Assim começa, com esta epígrafe, o artigo que escrevi a convite da Revista Seara Nova para a edição de inverno com o título Poesia de rua em ritmo catatónico na década do betão .  *VS Editor, trad. Diogo Paiva

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[monólogos entre diálogos com amigos] Hoje há um frenesim de corrida à cultura. As pessoas passam uma vida infernal nesses meios, a ouvir conferências sem fim, inaugurações, saraus. Evidente que não vais dar espectáculo para quem te vai odiar, impressionar pessoas que se estão nas tintas para o que dizes.  Lutar contra isso é vão, e não somos de pedagogia, só nos interessa a anagogia. Escreve-se não para evitar o futuro, Bradbury, mas para evitar deixar de sonhar. Criamos o nosso espaço, onde decidimos como e com quem, não meramente por necessidade, primeiramente como ideal.

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O Imenso Comércio do Nada XIII:  moral intergeracional Ontem no café do meu bairro um vizinho, ex-militar, combatente de Abril, dizia-me no seu jeito encanitado: – O activismo de hoje crê ser o grande beneficiário do progresso. Acenei mais ou menos afirmativamente, mas com uma provocação: – O senhor estaqueou o andamento no Bloom d’ A Cultura Inculta ? Terei dito algo mais, circunstancial de certeza, não consigo sequer lembrar para poder reproduzir. Acho que o compreendo melhor hoje do que há um ano, altura em que me mudei para este bairro. Cada vez mais fala-se muito sobre pouco, é um falar à superfície, uma fala reservada sempre que se pode; garantindo alguma inviolabilidade a uma espécie de teleologia que se reconstrói ou metamorfoseia amiúde (sintomas de uma patogenia chamada capitalismo, diria um amigo). Sentem algum desdém pelos combatentes de Abril? Parece-me, antes, que tendemos a sobrevalorizar uma militância que uns tiveram certamente mas outros não, colhendo até hoje fr...

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  […] Na pauta vê-se pouco do que convém. Depois do Outono alguém limpará ritos mudos. Os arranjos afinal não se arranjam sozinhos, nem as gavetas, as caixas de música, os vivos cadáveres refugiados. Todas as anástrofes do mundo são cretinas porque houvesse memória em nós do instinto teu a guerra seria fruto não comestível, caducos os misantropos, os intransigentes, essas fundamentalistas mnemónicas. Moogs no fundo da noite pior oscilaram reverberam no grés, a polir ditongos solertes despontaram sons conhecidos pelo pilar das lembranças, porventura restituídos em grutas suspeitas ribombadas lágrimas frescas à monofobia. […]ª Acúleo derivado do espículo, irmão do aguilhão, distingue-se dos espinhos caulinares por ser mutável, fácil de extrair, de se metamorfosear. Primeira performance (I) de spoken word com gravação fonográfica integrante de uma trilogia (III). Com actuações ao longo de 2023 no microFIAR - Festival Internacional de Artes de Rua, Snob, AMOSTRA - Escola Superior de...

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____ Experimentos partilhados uma, duas, três, sábias leigas. Seguranças ontológicas: a vida social modernaça é mui complexa, vejamos: arranjar o telhado, factores económicos, inventar um motor para o pó pó que nunca conduzimos, apanhar um choque na instalação eléctrica, o terror nuclear que nos devolve à terra agora que tudo isto vai desaparecer; a civilização, a natureza, a História (com H e com h), qualquer dia até a Carmen Maura sexy, oh... E depois ainda vimos picar o ponto no Instacoiso. ° ° ° [Los hastags son las nuevas palabras clave] #souBOApessoa #Almodóvareselmásgrande #Lavidaesunaficción #CarmenMauraeslamashermosa

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Acúleo estará este ano em Palmela, a convite do FIAR Centro de Artes de Rua, dia 29 de Julho, a abrir o microFIAR 2023. Parte I de uma trilogia.