Avançar para o conteúdo principal

Há uma Luz que nunca se apaga


Celebro a  ausência da violência 
como no quadro Guernica
a elegia da brandura
que pisca na lâmpada escura
intra-ocular imersa em fobias
Condeno o vexar da disfunção
nessa nuvem monótona
ufana de nada, erma
de suavidade, elevação
Estás aqui comigo sem saber como
escrevo-te ao sol dos dias solitários
a ti que despertas o amor em quem te vê
pitonisa da esperança que nos dias amanhece
e que subsiste ao tempo como uma rocha


in Revista Mural Sonoro como Laura do Céu, página 91, Junho 2021.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Fragmentos

EP 4 - Política da Arte em vez de Arte política: outro dos aspectos da morte da arte Para ouvir podem subscrever o Intempérie no SoundCloud ou no Spotify Inspirados pela “Carta a D’Alembert sobre os espectáculos” de Rousseau, tentamos explorar outro vector da morte da Arte, a sua instrumentalização enquanto parte da política de entretenimento que nos quer passivos a salivar perante o espectáculo da liberdade, da democracia e da suposta abundância. Método ancestral de nos reduzir à função de focas amestradas que batem palmas ou assinam em cruz um cheque em branco às elites políticas. Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade com indicativo sonoro de Xana (Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser). Para quem nos quiser continuar a enviar eventuais perguntas, comentários ou suge...

Fragmentos

Avançava e chicoteava o vento só com a planta de um pé, era, portanto, a antitipa de todas as atletas amadoras mas punha a maior ênfase em tudo o que fazia... Lisboa - Berlim, 2025 Por falar de Cinematecas interessantes, e filmes com acompanhamento musical, em Berlim E de um Teatro com História (por onde, entre tantos outros, passaram H- Muller e B Brecht que terá brevemente como curadora a coreógrafa-bailarina luso-caboverdeana Marlene Monteiro Freitas Outras alturas em Berlim Lagoa do Fogo, 2016 A modela nesta passagem quase desaparecia com borracha pelicano. Tinha atrás do caderno onde colou esta uma prosa curta que, apagada, se iria, de qualquer maneira, revelar na textura do que escreveu. Só que a experiência era dada numa frase insegura, não fazia jus à fulgurante lagoa e, por isso, permaneceu inacabada, as suas intenções reuniram-se pouco a pouco numa das culturas a que se ligou noutra viagem com a qual hoje se projecta no sítio que iria dominá-la; não fosse ela capaz de o s...

Fragmentos

  Já anda por aí o número 4 do Cavalo Velho. Uma edição da VS Editor com a direcção de Diogo Paiva e João Bicker. Fica aqui uma imagem com o meu contributo, um pequeno ensaio meio free-jazz onde a intérprete Elizeth Cardoso, a dama que celebrizou "Barracão" [de Zinco ], o escritor e as escritoras Aimé Césaire, bell hooks, e Marguerite Yourcenar dialogam com o repertório da escritora-catadora de cartão e de sonhos Carolina Maria de Jesus.