A eclosão da primeira grande guerra encorajou reacções em cadeia, e foi a essas reacções que ficámos presos desde então, porque ninguém teve grande capacidade ou vontade de as largar. Deve ser por isso que uns certos e umas certas demissionários partidários têm insistido tanto na terceira guerra mundial; procurando esquecer que as duas guerras mais sangrentas da História foram seguidas de migrações, gente que nem podia ser assimilada nem era bem-vinda, quando deixava a sua terra continuava sem terra, quando deixou de ter direitos ficou sem direitos, quando deixou de ter pátria era apátrida. Às vezes é preciso criar uma mnemónica como quando éramos imberbes e os saberes humanistas mais básicos eram colados no dia anterior de um teste de avaliação sumativa. Ou isso ou o silêncio do lado de lá do espelho.
Já anda por aí o número 4 do Cavalo Velho. Uma edição da VS Editor com a direcção de Diogo Paiva e João Bicker. Fica aqui uma imagem com o meu contributo, um pequeno ensaio meio free-jazz onde a intérprete Elizeth Cardoso, a dama que celebrizou "Barracão" [de Zinco ], o escritor e as escritoras Aimé Césaire, bell hooks, e Marguerite Yourcenar dialogam com o repertório da escritora-catadora de cartão e de sonhos Carolina Maria de Jesus.

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