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Fragmentos

[Renascida depois de desejar morte às ideias]
Todas as manifestações ou propostas artísticas com valor que não se materializaram, ou não o puderam ser por que a «sua própria concepção as sufocava», como escreveu Ernst Jünger; ou quem as pensou intuiu que estas não tinham ainda chegado ao centro, ou raiz, ou fundo, para daí poderem partir.
Há sempre uma cortina insondável e resistente nas ideias, mesmo naquelas que, em virtude da forma como as palavras usadas para as exprimir foram organizadas, nos parecem dotadas de transparência.
Para os espíritos que cismam e se procuram desenvolver a partir do centro, o conhecimento fora desse centro recua para segundo plano, é como se, tendo acesso à chave que abre uma casa sumptuosa, aquilo que Jünger designou «chave-mestra», as chaves dos outros quartos deixassem de ter interesse. Por outro lado, as torres que guardam os melhores pensamentos fechados tendem a cristalizar, não permitir que estes se movimentem, tão-pouco se misturem, talvez com receio de perder esse centro. Também é verdade que as ideias em torres fechadas correm perigos, como o de serem ultrapassadas por outros mundos nos quais outras ideias, mesmo que as achemos mais pobres, não jazerão cobertas de pó à espera que alguém as descubra, antes se multiplicam e inscrevem algum tempo entre nós até que todos delas se cansem e, só então, fartos de réplicas sofridas, procurem outras alternativas.



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