Avançar para o conteúdo principal

Fragmentos




















[Mondego]

A primeira casa era minúscula
de lá jungimos previsões
o futuro não teria lareira
só um corredor escarpado
longo, intransitável.

Tomavas conta do lar entrópico
tentavas ajeitar a janela de guilhotina
quando até ela perdera o caixilho inferior
e da chaminé um ventilador tosco exorava
no future como no punk.

Refreei de um embate, em tropel,
quando os esboços conjuntos
ficaram suspensos, na assincronia,
daquela noosfera bueira,
espécie de poço
prenhe de ar
à deriva
presença abismal:
um desapego transido em fuga
sem par
rumo a nova morada.



texto, interpretação, arranjos: Soraia Simões de Andrade
composição musical, arranjos, segunda voz: João Diogo Zagalo
mistura: Fernando Ramalho, masterização: Gonçalo Zagalo
vídeo: Paula Vale Marques; edição vídeo: Soraia Simões de Andrade
© 2022 Dez, edição AH!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Fragmentos

  O Imenso Comércio do Nada A europa e seus fantasmas de dominação Weidendammer Brücke, Berlin-Mitte, 2025 A pior mentira é a mentira da candura, da paz, do bom senso do parlamentar ocidental. Já mentimos tanto, já omitimos tantas coisas, que podemos começar a experimentar a honestidade a ver se ela nos cura.  É possível que dentro de poucos anos comecemos a renunciar ao pensamento dimanado da paixão e do desejo, da sinceridade connosco, a temer a angústia, a desenvolver cada vez mais conhecimentos que aproximam o mundo idealizado do que cremos ser o real, a moralizar os pederastas silenciosos numa manifestação ao fim-de-semana que silenciosos ficam como resposta ao chinfrim bélico do mundo. Afinal, a nossa principal característica é ter memória curta e aliviar episodicamente a boa consciência burguesa com acções para ficar tudo na mesma, menos a percepção que outros de nós terão. O drama histórico dos massacres e das limpezas étnicas – Bósnia e Kosovo, Sudão, Ruanda, Congo, S...

Fragmentos

  O Imenso Comércio do Nada XVII Público, privado, política, o esgoto a céu fechado Dizem-nos que nem todo o líder, ou aspirante, parlamentar é o nómada de quatro piscas encandeado pelo manual retrovisor da História oficiosa; nem toda a política partidária proveio do funambulismo, do mínimo esforço intelectual, da desagregação do real, das porfias difamatórias. Dizem-nos que nem todos os que são incapazes de aceitar uma estrondosa derrota e não se demitem vêm das bancadas universitárias, são onanistas, começaram o curso como-estar-sempre-deputado em juventudes partidárias onde o sistema é mais-e-menos teórico consoante os teoremas se repetem e as soluções surtem problemas de primeiro grau. Porém, também tenho visto que os que se condoem com um dispositivo estilístico brejeiro na hora de desenhar futuros que reafirmam pouco-nada-promissores enaltecem: as acnes rosáceas de um, os escândalos empresariais do outro, tudo, como ditam as normas, sob risinhos de Molière antianalógicos. De ...

Fragmentos

 Bem-vinda ao passado Como qualquer pessoa ligada, apaixonada, à/pela música, também já achei que havia canções feitas para aqui...Esta é uma delas, seria apenas mudar o género, Já morri a morte certa Já senti a fome, aperta a dor Já bati à porta incerta Viajei de caixa aberta, a dor Pecado, fundido, queimado Já desci lá em baixo ao fundo Já falei com outro mundo e então Já passei o limbo limpo Já subi ao purgatório e vou Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, arrependido, queimado Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, fundido e queimado Zangada, bem-vinda ao passado Pecado, arrependido, queimado