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Mensagens

Outra Míngua

Outra Míngua  texto de Soraia Simões de Andrade  desenho de Elagabal Aurelius Keiser  paginação de Fernando Ramalho capa de Alexandre Nobre  pp.88 colecção ثريا AH! 2025 ~ «Aquele retrato não era mais a imagem fotográfica das matriarcas. Era um orifício de luz no forno comunitário sem a comunidade, não havia grãos de fina moagem nos seus tabuleiros e bilhas. Um mercado de transístores onde todas falavam energicamente mas nenhuma escutava. Os ruídos e perigos cruzados de uma pequena sociedade atomizada sem partículas sólidas; uma cabeça sem ouvidos, uns pés sem ter­reno. Era a película nevrálgica da impostura, alarme viperino da pudicícia, céu do inferno, sentinela do desejo; bloco de pedra com que fizeram a figura impiedosa que treinava patos à míngua nos lagos e se satisfazia ao vê-los trinar com fastio. Era a força de mãos excêntricas que corriam atrás de pombos e mochos para apanhar esmolas no alcatrão. Mas, era também a filosofia de alguém abandonado num baldio. ...

Fragmentos

Recado digital: vizinho, vizinha, quem quer que sejas, vamos beber um café com cheirinho? Pagas tu. Ouvi há pouco o meu irmão dizer que os marcadores de rua estão caros, mesmo os de candonga e não da Crack Kids, donde para a minha bica-boca terás uns minutos e trocos. Há pelo menos uma desconhecida que se declara interessada em conhecer-te; tens auxiliado, e não dinamitado à semelhança da maioria dos rabiscos dolentes por estes muros, o meu último ano de caminhadas pela capital dos micro-impérios.  Mas, sabes, o drama é que nada de muito significativo já se consegue guardar. Metade da gente que por aqui passa é entretida pelos média, tudo se esquece e tudo se aceita depois de uma lavagem cerebral-cosmopolitan-protoenGAJAda. Bem que escreveu a MY que o passado era coisa infinitamente mais estável que o presente. Estes anos não são muito diferentes doutros, é o velhinho zarolho de sempre que regressa: limpa tudo o que é incómodo para tingir sua brancura virtual, cria um grupo de co...

Fragmentos

  ((Rememorar numa breve nota Despentes))     A ditadura da socialização pretende que atrasemos os compassos, outras vezes eliminemos, o que vivemos na carne. Uma revolução, o que tinham em mente estas vagas feministas , e não um reajustamento a estratégias de marqueteiros, medrosos, parasitos. Não se resolve no número, nos mapas, nos adventos. É, até, um dos tiques mais habituais quando alguém aponta criticamente a nudez no reinado, os reis despidos começarem a disparar um número crescente de pessoas x e y, para, assim, provar  a patetice do argumento e desviá-lo para um debate com véus, ou seja um quase-debate. Estão aqui a ver? Vejam, vejam. Que não há só gaivotas na terra quando alguém se põe a delirar para evitar um confronto. Que sabem as pessoas sobre nós? Aquilo que apresentamos (e como) a cada uma diz respeito. Sabe-se pouco, ou nada, das reservas de cada alma. E, se ela, a altura do mundo, nos for desprezível, até podemos reinventar-nos e desejar o ano...

Fragmentos

Que o ritmo ai de nós  só caldeado com o trópico e na geada é que se torna imortal...

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#1 Conversas anartísticas e profundamente comprometidas com os estados dos espíritos ou Um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes com Elagabal Aurelius Keiser e Soraia Simões de Andrade Indicativo podcast Voz: Xana mistura indicativo: Gonçalo Zagalo Pereira Imagem do podcast sob Agathos Daimon, pintura de Elagabal Aurelius Keiser Intempérie, podcast entre Berlim e Lisboa  do Elagabal Aurelius Keiser e desta vossa conhecida, um espaço de crítica livre sobre os infortúnios da história cultural e das artes.  Segunda conversa partilhada, sem guião embora com uma linha orientadora no horizonte: a excessiva moralização de um discurso sobre artes e cultura, trazendo, inevitavelmente, à colação dois conceitos nietzscheanos e umas quantas ideias platónicas.

Fragmentos

Entre ensaios, contos, manifestos, textos incategorizáveis, acaba de sair mais uma leva, desta vez do 19 ao 24, de Cadernos AH! na plataforma Mural Sonoro. Para aceder aos textos basta clicar em cada uma das capas . A saber: Caderno AH! #19 Duas Notas sobre o Fim do Mundo de Hans Magnus Enzensberger traduzido pelo Fernando Ramalho Caderno AH! #20 Imaginação e Mudança . Textos de Robin D. G. Kelley e Octavia Butler, seleccionados e traduzidos por Ana Guimil e revisto por mim Caderno AH! #21 14 Teses sobre a Comuna de Guy Debord, Attila Kotányi e Raoul Vaneigem traduzido pelo Fernando Ramalho Caderno AH! #22 Medidas de prevenção contra a queda de meteoritos de grandes dimensões por João Diogo Zagalo por mim revisto Caderno AH! #23 Sobre Romances Históricos e Anacronismos por   Margarida Rendeiro revisto por mim Caderno AH! #24 Humanismo Criminoso Grupo Surrealista de Paris traduzido por   Fernando Ramalho

Fragmentos

O imenso comércio do nada XXVI Talvez nos pareça ainda que uma das mais potentes formas de contracultura a partir dos anos dois mil seja o uso da internet. Sítio de poucas cedências ou barreiras, goza de similitudes com as demandas utópicas e libertárias da geração de sessenta; a mesma aura dos espíritos contestatários e livres de divisões classistas, porém, e mais cedo do que eventualmente previra, como sucedera a outras derivas antes do virtual, também essa ideia foi capturada por uma cultura reformatória e conformista. O interesse crescente por discos e livros de um período da história ou de outras latitudes geográficas traduzirá certamente o apreço por assuntos como os da coacção da censura e resistência ao salazarismo ou outras ditaduras, as críticas a uma ortodoxia neo-hiper-realista, os imperativos arquivísticos e éticos da literatura e da música proibidas e, de modo um pouco mais subtil, o sujeito poético em comunhão com a mimesis quotidiana , a recriação imaginária a partir...